sábado, 18 de fevereiro de 2012

Ir

Ir assim sem pouso,
Era nem beira,
despindo a pressa.
Num instante pressa,
um instante, passa...

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Raindo


O cume dos teus seios
Eram pitangas maduras
– despojando minha sede –
Macias e duras romãs verdes

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Lamúria de menino

Disseram-me um dia
que pra ser poeta tem que ser sofisticado,
pra ser poeta não se pode ter amado,
pois a poesia é muito mais transpiração.

Disseram-me outro dia;
que o poeta tem que ter boa harmonia,
tem que entender bem de poesia,
tem que ter o poema em suas mãos.

Dai segui todo encucado,
pois dos meus versos desconsolados
sou mil por cento inspiração.

E vos confesso angustiado
em meu desabafo atordoado;
que eu não sou poeta não.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Silenciando


Na fluidez breve do tempo
o coração vai falando mais baixinho
a cada aurora que passa.
– Vai e vem de um balanço –
Quase não da pra se ouvir.

O que acelerava, tarda.
Antes, o que urgia, silencia.
Tênue chamar da madrugada
a tecer o próximo raiar do dia.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Aeroplano

Voar é ter os braços abertos

domingo, 9 de outubro de 2011

Flerte

Mansos cabelos cumpridos,
tens a força divina da primavera
ao primeiro emergir no mar de rosas.

quando teimas não passar,
minha poesia
vira

prosa.

...


Arranca as cortinas deste quarto de vidro,
Suspende o juízo, extingue os costumes.
Mata-me se eu ousar tocar-te antes da hora!
Encontra a verdade do prazer 
– Perdida –

Acorda-me
nua:
Ronronando.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Precipício

Sonho alto.
Pois se baixo sonhasse,
não pularia!

Usaria uma escada,
se voar
eu não quisesse..
                          .
                          .

domingo, 31 de julho de 2011

Violeta

Profana o santuário,
me entrega a dose
destes teus cabelos
manchados de tinta.

Cada gota de orvalho
para que eu a prove.
difere-me dos seres
deste mundo de quinta.

http://violetalima.blogspot.com/

terça-feira, 5 de julho de 2011

Salpicos de chuva

Consumei-me pingos,
dezenas de alguns ao meu lado
e a incessante sensação de estar sozinho.
Gotas de chuva me fiz para suportar o peso

escorrego, me deixo levar...
Como num corpo de uma mulher
o banho morno acaricia;
Deslizo sem saber de mim.

Ó poças de lama,
recebam-me com carinho.
prometo não pronunciar uma sequer palavra,

ainda acredito não estar sozinho.
Só preciso de algum lugar
para acalmar as minhas lagrimas.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Florar

Flores,
recato nupcial
das cores,
abrigo incondicional
das dores,
concebam seu despetalar...

Senhores,
as encham
de mil amores,
esqueçam
os vis rancores,
permitam-nas desabrochar...

domingo, 15 de maio de 2011

Sonata

Parece voltar aos poucos
sinto-me acordando serenamente
– Desta vez anunciou não ter a menor pressa –
Veio corando meus lábios,
acariciando meus dedos,
abrindo meus braços,
desabotoando minha roupa,
desejando meu corpo
– Com aquele sorriso no canto da boca –

Chega me deixar esbaforido.
Olhar de quem rasgou os compromissos
e despiu-se completamente
do peso das horas.

Então desfila pelo quarto,
abrindo as cortinas,
gozando gargalhadas alheias ao sol...
Quando de repente,
aproxima-se com a fúria de avalanche
que devasta uma rua
– E o meu peito quase a fugir pela boca –
Ela para e sussurra em meu ouvido:
- Sou tua!

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Céus,
da-me uma dor
para que eu possa diluir
o meu silencio
em pranto...

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Sauvignon

a poesia é meu veneno
a poesia em mim perdura
dias ela me mata,
outros ela me cura.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Alua

Quem me dera
três mil quilômetros
fosse ali,
do outro lado da rua...
E um milímetro
fosse a maior distância
entre a minha boca e a tua

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Apelo por nada

Vida pequenina,
sois um grão de açúcar no oceano
um sopro, uma quimera
ô vidinha menina
por que me deixas
tanto tempo a espera?

Diz-me então
qual verdade que escondes,
fala sem medo
aponta-me aonde.

ah, vida tão pequenina
faz um carinho...
sou teu filho querido
que tanto tem sede,
aquele que é tudo
mas não chega ser nada

poeta nas horas vagas
nem a loucura
deita-se por inteiro;
nem as canções...

ó vida minha
dá-me uma enxurrada
minha garganta
não aguenta mais
o gosto de nada.

domingo, 20 de março de 2011

Alacoque

eu lá
não consigo

viver sem você
aqui.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Chuvisco

foi embora
e a nuvem
chorando
sua partida;
serei sereno
a tua ausência,
lua querida..

sábado, 29 de janeiro de 2011

os seres
são,
deixe
as coisas
serem.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Nízia

Moça este nome inspira um soneto
Onde versos dançam um madrigal de sentidos
Dos teus lábios claros qual sabor desconheço
Dos tais risos raros arrancando suspiros

Em um só segundo o sabor deste beijo
Inundaria por toda eternidade
De brancos idos, um mel de puros desejos
Na forma mais tênue da suavidade

Tão pouco quiseste àquela noite fria
E a dor me doía além do seu preço
Restou deste leito uma fotografia

Só tu és capaz de saciar o que peço
Além dos tais beijos eu te suplico, Nízia:
Dai-me paixão pra continuar os meus versos.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Alvo-rubro

Teu olhar é claro como a sombra franca
Tua pele; rede, silenciosa e branca
Nos teus seios fartos minha calma febre
O teu flanco é brasa no olhar que vede

Em teu dorso brota um aroma infindo
Devolvendo a essência do perfume
Teu suor é vento incendiando o lume
Tua coxa ferve em um teor divino

Quando a força bruta do teu grito peja
E o corpo todo em descompasso treme
Sou um rio raso em vasta correnteza

Em tua pele úmida nosso corpo funde
Já não sei de mim, mas quando tu me beijas
O implodo é tanto que não tenho nome.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Sou fera da mata fechada
Não falo de amor pra ninguém
Meu grito por todos os lados
Faz medo a qualquer furacão
De dia não tome cuidado
Saia sem medo da morte
De noite fuja do sereno
Corra e não olhe pra trás
Que eu faço dos cantos semente
E broto por todos os lados
Se um dia eu brotar dos teus lábios
Se renda que eu sou caçador
Que eu pego no fio do juízo
E mostro o nó da loucura
Ouça por bem meu conselho
Não tente negar meu refrão
Dos versos do fruto colhido
Da flor que nasceu da batalha
Se de dia sou fogo de palha,
De noite eu acendo o trovão.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Inverso

Solidão
toma-me ao teu colo
da-me teu carinho,
serve de bandeja
Hoje não
almejo um sorriso
mas como preciso
dose de tristeza

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Anafilaxia

pobre de mim
triste poeta
que sigo tua réstia
cintilando no salão
com essa folia
de dez carnavais
teu corpo me trás
veneno quinhão
quebrastes a taça
eu bebi na garrafa
um porre do vinho
apache Tristão
pobre de mim
triste poeta
um gosto me resta
veneno paixão

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Soneto de retalhos

Dona dos poemas meus
Por ti varei madrugadas
Prosas, estrofes, baladas
Eu fiz na ilusão de esquecer

Dona dos versos de adeus
Vieste tão bem perfumada
Que a hora provim da flechada
Qual doce mal pôde arder

Restou-me este choro cetim
Costurando lembranças de brim
Tecendo este manto sagrado

Perdoe este vil cancioneiro
E aceite do seu costureiro
Um soneto de mais apertado

domingo, 26 de setembro de 2010

Adorações serenas

Aceite meu amor como um bem raro
Humano por lembrar a duras penas
O branco tão macio dos teus traços
O canto da tua alma tão pequena

Teus lábios me embalaram num compasso
Ardente de uma harmonia tão serena
Os versos preenchendo os espaços
Teu corpo sendo a forma do poema

Enquanto fez-se a noite uma quimera
O céu foi estrelado de sorrisos
A lua dando calma à primavera

Segredos dos caminhos, devaneios
Vibrante sobre o mel do teu umbigo
Ouvi ao debruçar sobre os teus seios

domingo, 19 de setembro de 2010

Quando ela partiu

Foram todas essas dores
Mas nasceu outro lamento
Foi-se o tempo dos amores
Fez-se brisa todo o vento
Fez-se cinza das fogueiras
Soluçar calou o espanto
Bebo o rio do desencanto
Sou mais um pelas ladeiras.

Quero versos de outros campos
Quero cantos traiçoeiros
Quero além destes meus prantos
Odisséias, fevereiros...
Já não sou mais primavera
Nem inverno, nem verão
Acabou-se o carnaval
Apagou-se São João